Corpo em Obra| Körperarbeit

Corpo em Obra| Körperarbeit, foi inicialmente criada em Berlim (Alemanha) durante residência coreográfica de Julho a Outubro de 2012. A obra Reivindica a memória através de duas abordagens: Uma a partir da materialidade do carvão e outra a partir da (i)materialidade da imagem.
Nesta obra, a discussão sobre a memória passa pelos escritos de Henri Bergson. Na concepção deste filósofo, a memória se transforma à medida que se atualiza. Na obra, a imagem/video (tratada aqui como memória de um tempo que já decorreu) se atualiza na presença e relação com o corpo que dança.

A imagem-corpo se atualiza e compõe a dança entre poros e pixels. O corpo da imagem sendo ao mesmo tempo presença de algo que sucedeu e lembrança de uma sensação que se prolonga na própria sensação do presente. Simultaneamente passado e presente. Por sua vez, a cada instante as ações do corpo presente vão se transformando em memória; sensação do presente que se metamorfoseia em lembrança. A obra traça um jogo entre memória e percepção do tempo presente. Nesse contexto, a obra dialoga com as discussões de Bergson, para o qual o estado presente é ao mesmo tempo uma percepção do passado imediato. Sendo o presente (ao mesmo tempo) sensação e movimento; um presente que é sensório motor.

O carvão foi escolhido como materialidade-símbolo da memória do fogo, sendo também um dos primeiros dispositivos de registro e, logo, memória. Em Corpo em Obra é utilizado como dispositivo poético de registro, memória, traço, rastro, resquício. Mas, esta escolha também envolve questões autobiográficas, pois “quando eu tinha 7 anos de idade eu entrei numa fogueira de São João, era o final de uma fogueira, essa foi a minha primeira performance” (Ferreira, auto-citação).

Fotos tiradas na apresentação em 27/05/2013 no Teatro Goethe (Salvador, BA). Fotos: Erivan Morais.