DRAMATUGIAS DA MEMÓRIA (2018 – em desenvolvimento)

O projeto parte do conceito de “dramaturgias da memória”, defendido pelo pan-africanista Paul Gilroy, em suas práticas que redimensionam a existência dos sujeitos em diáspora. O Atlântico Negro necessariamente atravessa e compõe muitas memórias e suas dramatúrgias. Nesse sentido, parte da série retoma momentos da Plantation e da escravidão no Brasil. A cana-de-açucar está presente como uma vara que sustenta dois pesos, duas medidas: um prato de açúcar e outro com um pó dourado, em alusão ao ouro.

Recorda também que muitos africanos escravizados eram trocados por produtos, como a cachaça. A ação consiste em equilibrar a vara na cabeça, enquanto sustento os dois pesos. Os limites entre o equilíbrio, o desequilíbiro e a queda dos pratos. Uma imagem que também recorda a persona da Justiça. Uma justiça que nunca exisitiu, quando trata-se do holocausto e genocídio negro. Outras ações compõe a série, tais como o Banho de Kassimbi, com uma conha que derrama o mesmo pó dourado em alusão ao ouro. Homenagem à ancestralidade de matriz africana sque permitiu a resitência a partir do religare.

Ambas ações ocorreram no Engenho Vitória, que fica à beira do Rio Paraguaçú, na cidade de Cachoeira. (Bahia – Brasil) A escolha do local se deu pela proximidade afetiva com a cidade, uma vez que minha mãe nasceu numa roça muito próxima à Cachoeira, distante 14km da referida cidade. Muitos tios e tias nasceram em Cachoeira, que possuia uma das poucas maternidades. Assim como também estudaram na mesma cidade, uma das poucas escolas da região do Recôncavo da Bahia.