ResIntensa (2017)

Performance realizada no Memorial dos Povos Indígenas (Brasilia, DF | Brasil), após um período de 15 dias de residência artística, imersa em questões indígenas. A residência foi promovida por ocasião da Semana Brasil Dinamarca (2017), envolvendo artistas brasileiros e dinamarqueses.

O que moveu a performance foram as questões indígenas , sobretudo seus direitos violados. O permanente estado a qual as vidas indígenas são subjulgadas. Para isso, a imagem de uma mulher vestida de branco, com um véu, como uma aparição de uma santidade cristã. Uma referência à religião que operou a catequização indígena para assegurar a conquista territorial, que os julgou perversamente como à animais desalmados. Nesta performance, derramo um líquido vermelho sobre a minha cabeça, que mancha o manto branco. Um líquido feito de urucum, uma semente que é utilizada em pinturas corporais indígenas. Um sangue de urucum.

Em seguida, folhas de guiné são levadas à boca. Folhas que estão pintadas de dourado, da cor do ouro saqueado em terras brasileiras.

Unem-se símbolos indígenas e africanos, uma vez que a folha de Guiné remete não somente ao nome de um país africano, mas ao banho de guiné que se realiza em religiões afro-brasileiras com o intuito de descarrego - limpar energia.

Posteriormente, escrevo um texto no manto branco a qual visto. Um pincel feito de pena de Arara-Azul e a uma tinta vermelha feita da semente de urucum. Novamente evoca-se a história de um Brasil violentado.

Me encontraram um dia
E disseram que me descobriram

Me deram outro nome
Nomes que eu nem sabia o que era
Me nomearam contra a minha vontade

Chamaram a minha vida de outra vida
me deram um deus
uma roupa
uma fala
Mas também determinaram a hora que
eu deveria falar ou calar
Me disseram: permaneça calada.
Me disseram que a partir daquele momento eu seria educada
Eu teria uma historia e até outro nome
Eu seria alguém

Violentaram-me
Prenderam-me
Fizeram-me sangrar
E depois disseram: - “agora cante e dance”
Pingando de sangue me fizeram passar na árvore do esquecimento
E no meu ouvido gritaram: - Você não tem história
Esqueça seu passado e o que você é
Você não é ninguém

Acorrentaram-me
Perseguiram-me
Corri, corri muito
Olhei para os céus, para as matas e para os animais
Pedi muito àquele deus que me fizeram acreditar que era o deus certo
Mas, logo olhei para a mata e para os céus
Reconheci meus antepassados nas estrelas e na terra
Quiz virar uma onça feroz
Mas me disseram que eu deveria ficar mansa
Então pensei em ser pássaro
Atravessei
Sobrevivi e voei como uma arara azul
Virei estrela
Agora brilho

Materiais: sementes de urucum, tecido, folhas de guiné, pena de arara azul, video projetado.